Desde 2013. Blogue para aprendentes de português estândar, para alfabetização, bastante indicado para português como L2. São propostas de exercícios de Mediação, Compreensão oral, expressão escrita, etc para serem resolvidos nas aulas da escola.
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Boletim meteorologico sem palavras
Indica por palavras tuas o tempo que o mapa apresenta para Portugal. Grava no telemóvel e logo ouvimos.
Boa tarefa de revisão
Esta página é do Instituto Camões, ali têm muitas mais atividades:
I.Camões
O CASO DA CALÇADA DO JASMIM
UM CRIME?
Terça-feira, seis de Maio. São catorze horas.
A D. Odete não é vista no seu bairro desde hoje de manhã.
As janelas da sua casa estão abertas, mas o correio de hoje continua na caixa.
A D. Odete tem sessenta e dois anos. É uma senhora tão bem conservada que ninguém adivinha a sua idade. É baixa e ligeiramente forte. Tem olhos verdes e anda sempre muito arranjada.
É uma senhora com uma expressão simpática, muito afeiçoada a bichos. Ela própria tem um gato, que se recusa agora a descer do telhado.
Os vizinhos começam a ficar preocupados. A D. Odete não costuma ausentar-se sem avisar. A D. Maria, que mora quase em frente, dá o alerta:
- Alguém viu a D. Odete? Hoje de manhã convidei-a para almoçar comigo, mas não apareceu até agora. Já bati à porta, mas ninguém responde.
Os vizinhos decidem forçar a porta do n° 3 da Calçada do Jasmim. Ficam boquiabertos com o que vêem.
No sofá, a D. Odete está imóvel, a cabeça caída para a frente, o corpo hirto. Ao seu lado, um copo meio de água e uma caixa de medicamentos, vazia. A D. Maria reconhece imediatamente o medicamento que a dona Odete costumava tomar.
O que aconteceu? O que se passou, ao certo ninguém sabe. Aparentemente, trata-se de um suicídio. Mas todos consideram essa hipótese improvável. Por isso, resolvem comunicar a ocorrência às autoridades.
O inspector Severino toma conta do caso e dá início ao inquérito no dia seguinte.
Tira o bloco do seu bolso. De cachimbo na boca, prepara-se para escutar cada testemunha e encontrar, com a sua ajuda, a pista certa para esclarecer a verdadeira causa da morte da D. Odete. Esteja atento. Leia o depoimento da primeira testemunha.
O CASO DA CALÇADA DO JASMIM
UM CRIME?
Terça-feira, seis de Maio. São catorze horas.
A D. Odete não é vista no seu bairro desde hoje de manhã.
As janelas da sua casa estão abertas, mas o correio de hoje continua na caixa.
A D. Odete tem sessenta e dois anos. É uma senhora tão bem conservada que ninguém adivinha a sua idade. É baixa e ligeiramente forte. Tem olhos verdes e anda sempre muito arranjada.
É uma senhora com uma expressão simpática, muito afeiçoada a bichos. Ela própria tem um gato, que se recusa agora a descer do telhado.
Os vizinhos começam a ficar preocupados. A D. Odete não costuma ausentar-se sem avisar. A D. Maria, que mora quase em frente, dá o alerta:
- Alguém viu a D. Odete? Hoje de manhã convidei-a para almoçar comigo, mas não apareceu até agora. Já bati à porta, mas ninguém responde.
Os vizinhos decidem forçar a porta do n° 3 da Calçada do Jasmim. Ficam boquiabertos com o que vêem.
No sofá, a D. Odete está imóvel, a cabeça caída para a frente, o corpo hirto. Ao seu lado, um copo meio de água e uma caixa de medicamentos, vazia. A D. Maria reconhece imediatamente o medicamento que a dona Odete costumava tomar.
O que aconteceu? O que se passou, ao certo ninguém sabe. Aparentemente, trata-se de um suicídio. Mas todos consideram essa hipótese improvável. Por isso, resolvem comunicar a ocorrência às autoridades.
O inspector Severino toma conta do caso e dá início ao inquérito no dia seguinte.
Tira o bloco do seu bolso. De cachimbo na boca, prepara-se para escutar cada testemunha e encontrar, com a sua ajuda, a pista certa para esclarecer a verdadeira causa da morte da D. Odete. Esteja atento. Leia o depoimento da primeira testemunha.
sexta-feira, 27 de março de 2015
segunda-feira, 23 de março de 2015
Poema de Alberto Caeiro . Ouvimos e refletimos.
Poema "Quando vier a primavera" interpretado pelo actor Pedro Lamares.
Quando Vier a Primavera
Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
segunda-feira, 2 de março de 2015
Receita vegetariana outonal
Seitan com Marmelos e Castanhas
Gosto muito de carne e peixe, mas não me recuso a experimentar a comida vegetariana. Há uns tempinhos atrás fui até uma aula prática de culinária vegetariana. Fizeram lá este seitan, gostei e resolvi repetir em casa.
O seitan é um substituto da carne derivado de uma proteína de trigo chamada glúten. É um alimento da antiguidade, assim como o tofu, mas não está clara a sua origem. Desconhecemos se provém da Índia ou da China.
O seitan é produzido a partir da preparação da farinha de trigo. Faz-se primeiro uma massa, como para o pão. Esta é depois lavada, num passador, com água corrente. Neste processo perde as gorduras e os hidratos de carbono. A massa é então cozinhada com molho de soja e ganha assim uma consistência dura. Fica um preparado fibroso, que deve ser bem cortado em fatias ou em quadrados.
O seitan é um ótimo substituto da carne, não só o conteúdo proteico como também pelo modo como se pode cozinhar. Pode grelhar-se, panar-se, usar em estufados, em espetadas ou assar no forno.
O seitan já tinha experimentado noutras alturas, mas nunca tinha cozinhado marmela, a não ser para marmelada. Valeu a pena experimentar. O sabor fica muito bom, aliás, como todo o prato.
Calorias: +/- 275 Kcal por porção.
Tempo de Preparação: 1h a marinar; 1h de preparação.
Quantidade: 4 porções.
Ingredientes
500 g de seitan
1 marmelo
150 g de castanhas descascadas (podem ser congeladas)
1 colher de sopa de azeite
Sal, salsa, louro, molho de soja, massa de pimentão, alho, sementes de mostarda, gengibre q.b. (Não encontrei sementes de mostarda à venda por isso não coloquei.)
Preparação
1. Corte o seitan às fatias ou em cubos.
2. Numa tigela coloque o azeite, a massa de pimentão, o gengibre ralado, a folha de louro, a salsa picada, molho de soja e 1 dente de alho picado. Faça uma pasta e tempere o seitan. Deixe marinar durante 30 minutos.
3. Numa tacho antiaderente coloque uma colher de sopa de azeite, as sementes de mostarda e o seitan. Deixe alourar de um lado e do outro.
4. Junte o marmelo cortado aos cubos e as castanhas ao seitan. Deixe cozer em lume brando até que as castanhas estejam cozidas. Se necessário, acrescente um pouco de água quente durante a cozedura.
5. Retifique o sal e sirva.
Acompanhamento: Sirva com salada ou legumes salteados.
Apreciação: Muito boa. Uma excelente alternativa à carne.
Fonte: Aula Prática de Culinária Vegetariana na Associação Brahma Kumaris.
Fotos: Susana B.
Indica:
Ingredientes: marmelo,...
Utensílios: tacho, ..
Processos: descascar,..
Modos: q.b, ..
Indica:
Ingredientes: marmelo,...
Utensílios: tacho, ..
Processos: descascar,..
Modos: q.b, ..
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Adília Lopes relida
Primeiro amor
Gostava muito dele
mas nunca lhe disse isso
porque a minha criada tinha-me avisado
se gostar de um rapaz
nunca lhe diga que gosta dele
se diz
ele faz pouco de si para sempre
os rapazes são maus
eu não era bela
nem sabia quem tinha pintado Os pestíferos de Jaffa
resolvi assim escrever-lhe cartas anónimas
anónimas
escrevia o rascunho num caderno pautado
não sei hoje o que escrevia
mas sei que nunca escrevi
gosto muito de ti
e depois pedia a uma rapariga muito bonita
que passasse as cartas a limpo
eu acreditava que quem tinha uns cabelos
assim loiros e a pele assim fina
devia ter uma letra muito melhor do que a minha
agora que conto
agora que conto isto
vejo que deixo muitas coisas de fora
por exemplo que o meu primeiro amor
não foi este mas o Paulo
o irmão da rapariga bonita
adília lopes
resumo
a poesia em 2009
assírio & Alvim, 2010.
Metereológica
para o José Bernardino
Deus não me deu
um namorado
deu-me
o martírio branco
de não o ter
Vi namorados
possíveis
foram bois
foram porcos
e eu palácios
e pérolas
Não me queres
nunca me quiseste
(porquê, meu Deus?)
A vida
é livro
e o livro
não é livre
Choro
chove
mas isto é
Verlaine
Ou:
um dia
tão bonito
e eu
não fornico
A solidão
de Adão
antes da criação
de Eva
devia ser
terrível
mas a minha
é bem pior
os homens
que escreveram
o Génesis
não pensaram
que Adão
em vez de saudar
Eva
com um grito de júbilo
a mandasse embora
com sete pedras na mão
mas eu acho
que foi
o que me aconteceu
temendo isso
Deus
não me deu
o papel de Eva
nem o de Maria
porque também
S. José
me tinha corrido
a pontapé.
A BELA ACORDADA
Era uma vez uma mulher que tão depressa era feia era bonita, as pessoas diziam-lhe:
- Eu amo-te.
E iam com ela para a cama e para a mesa. Quando era feia, as mesmas pessoas diziam-lhe:
- Não gosto de ti.
E atiravam-lhe com caroços de azeitona à cabeça. A mulher pediu a Deus:
- Faz-me bonita ou feia de uma vez por todas e para
sempre.
Então Deus fê-la feia.
A mulher chorou muito porque estava sempre a apanhar
com caroços de azeitona e a ouvir coisas feias. Só os animais
gostavam sempre dela, tanto quando era bonita como quando
era feia como agora que era sempre feia. Mas o amor dos animais
não lhe chegava. Por isso deitou-se a um poço. No poço,
estava um peixe que comeu a mulher de um trago só, sem a
mastigar.
Logo a seguir, passou pelo poço o criado do rei, que
pescou o peixe.
Na cozinha do palácio, as criadas, a arranjarem o peixe,
descobriram a mulher dentro do peixe. Como o peixe comeu a
mulher mal a mulher se matou e o criado pescou o peixe mal o
peixe comeu a mulher e as criadas abriram o peixe mal o peixe
foi pescado pelo criado, a mulher não morreu e o peixe
morreu. As criadas e o rei eram muito bonitos. E a mulher ali era tão feia que não era feia. Por isso, quando as criadas foram
chamar o rei e o rei entrou na cozinha e viu a mulher, o rei
apaixonou-se pela mulher.
- Será uma sereia ? – perguntaram em coro as criadas ao
rei.- Não, não é uma sereia porque tem duas pernas, muito
tortas, uma mais curta do que a outra – respondeu o rei às
criadas.
E o rei convidou a mulher para jantar.
Ao jantar, o rei e a mulher comeram o peixe. O rei disse à
mulher quando as criadas se foram embora:- Eu amo-te.
Quando o rei disse isto, sorriu à mulher e atirou-lhe com
uma azeitona inteira à cabeça. A mulher apanhou a azeitona e
comeu-a. Mas, antes de comer a azeitona, a mulher disse ao rei:- Eu amo-te.
Depois comeu a azeitona. E casaram-se logo a seguir no
tapete de Arraiolos da casa de jantar.
In Adília Lopes – OBRA – A Bela Acordada, pag. 300, Ed. Mariposa Azul, Lisboa
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
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