Desde 2013. Blogue para aprendentes de português estândar, para alfabetização, bastante indicado para português como L2.
São propostas de exercícios de Mediação, Compreensão oral, expressão escrita, etc para serem resolvidos nas aulas da escola.
Depois (de) que após, de seguida, antes (de) que então, nessa altura, no dia seguinte, dias mais tarde, meses / anos após, depois, até que, mal (imediatez temporal) enquanto, ao mesmo tempo (que), (entretanto, por outro lado) por último, finalmente
Co-referenciais: cadeia referencial: uma gotinha, ela, essa, deram-na em adoção....
Supraoracional
Enumerativos: e, (e +) finalmente, por fim, por um lado, em segundo lugar,..
Para
começar/terminar; a seguir, continuando
Aditivos: e, além disso, ainda, igualmente, do mesmo
modo
Confirmação: e,
efetivamente, com efeito, de facto
Contraste concessivo: mas,
ainda assim, mesmo assim, contudo, no entanto,..
Contraste antitético: mas,
(muito) pelo contrário, ora bem
Disjunção: ou, em
alternativa,..
Inferência: e, assim,
consequentemente, em consequência, deste modo, por esta razão....
Reformular: quer dizer, melhor dizendo, por outras
palavras, aliás, isto é,...
Textos:
Gilberto Gil
Criar meu web site Fazer minha home-page Com quantos gigabytes Se faz uma jangada Um barco que veleje
Que veleje nesse infomar Que aproveite a vazante da infomaré Que leve um oriki do meu velho orixá Ao porto de um disquete de um micro em Taipé
Um barco que veleje nesse infomar Que aproveite a vazante da infomaré Que leve meu e-mail até Calcutá Depois de um hot-link Num site de Helsinque Para abastecer
Eu quero entrar na rede Promover um debate Juntar via Internet Um grupo de tietes de Connecticut
De Connecticut acessar O chefe da milícia de Milão Um hacker mafioso acaba de soltar Um vírus pra atacar programas no Japão
Eu quero entrar na rede pra contactar Os lares do Nepal, os bares do Gabão Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular Que lá na praça Onze tem um videopôquer para se jogar
Gilberto Gil
Da dificil arte de redigir um telegrama - JÔ SOARES
Há
uma história famosa a respeito de uns parentes que tinham que comunicar, por
telegrama, a uma senhora que estava viajando, o falecimento de uma irmã.
Reuniram-se em volta de uma mesa e “toca” a escrever.
Primeiro,
foi o primo quem redigiu a nota. Depois de alguns minutos, mostrou o resultado
de seu trabalho: “INTERROMPA VIAGEM E VOLTE CORRENDO. TUA IRMÃ MORREU”. Todos
leram e um dos tios fez o seguinte comentário:
_
Eu acho que não está bom. Afinal de contas, vocês sabem que ela é cardíaca,
está viajando e um telegrama assim pode ser um choque.
Todos
concordaram, inclusive um outro primo afastado que era meio sovina e achou o
telegrama muito longo:
_
Depois, com o preço que se paga por palavra, isso não é mais um telegrama, é um
telegrana.
Ninguém
riu do infante trocadilho, mesmo porque velório não é lugar para gargalhadas.
Foi a vez de o cunhado tentar redigir uma forma mais amena, que não assustasse
a senhora em passeio. Sentou-se e escreveu: “INTERROMPA VIAGEM E VOLTE
CORRENDO. SUA IRMÃ PASSANDO MUITO MAL”. Novamente o telegrama não foi aprovado.
Um irmão psicólogo observou:
_
Não sejamos infantis. Se ela está viajando pela Europa e recebe esta notícia,
não vai acreditar na história “passando muito mal”. Sobretudo com “volte
correndo” no meio.
_
Também concordo – falou o primo afastado sempre pensando no outro. Então, o
genro aproximou-se:
_
Acho que tenho a forma ideal. Pegou o bloco e rabiscou rapidamente: “INTERROMPA
VIAGEM E VOLTE DEVAGAR. TUA IRMÃ PASSANDO MAIS OU MENOS”. Todos examinaram
atentamente o telegrama. A filha reclamou:
_
Vocês acham que mamãe é boba? Se a gente escrever que a titia está passando
mais ou menos e que ela pode voltar devagar, ela já vai adivinhar que todas
estas precauções são pelo fato de ela ser cardíaca e que, na realidade, a irmã
dela morreu!
_
Concordo plenamente _ disse o facultativo da família que era também sobrinho da
senhora em questão. Resolveu, como médico, escrever o telegrama: “PACIENTE FORA
DE PERIGO. VOLTE ASSIM QUE PUDER. PACIENTE TUA IRMÔ.
De
todas a fórmulas até então apresentadas, esta foi a que causou mais revolta.
_
Que “troço” mais infantil – gritou o netinho que passava pela sala no momento
em que a mensagem era lida. Puseram o menino para fora da sala, mas, no íntimo,
a família concordava com ele.
_
Não, isso não. Se a gente manda dizer que ela está fora de perigo, para que
vamos pedir que ela interrompa a viagem? – argumentou o tio.
_
Também acho – responderam todos num coro de aprovação. O filho mais velho
resolveu tentar. Pensou bem, ponderou, sentou-se, molhou a ponta dos lábios com
a língua e caprichou. “SE POSSÍVEL, VOLTE. TUA IRMÃ SAUDOSA. PASSANDO QUASE
MAL. POR FAVOR, ACREDITE. CUIDADO CORAÇÃO. VENHA LOGO. SAUDADES. SURPRESA”.
_
Realmente, esse bate todos os recordes! _ disse uma nora professora. Em
primeiro lugar, não é “se possível”, ela tem que voltar mesmo. Em segundo
lugar, “saudosa”, tem duplo sentido. Em terceiro lugar, ninguém passa “quase
mal”. Ou passa bem ou passa mal. “Quase mal” e “quase bem” é a mesma coisa.
“Por favor, acredite” é um insulto à família toda. Ninguém aqui é mentiroso.
Depois “cuidado coração” não fica claro. Como telegrama não tem vírgula, ela
pode pensar que a gente está dizendo “cuidado, coração”, já que a palavra
coração também é usada como uma forma carinhosa de chamar os outros. Por
exemplo: “Oi, coração, tudo bem?”. E, finalmente, a palavra “surpresa” no
telegrama chega a ser requinte de crueldade. Qual é a surpresa que ela pode
esperar?
_
Ela pode pensar que a titia está esperando neném _ falou um sobrinho.
_
Aos noventa anos de idade?
Abandonaram
a idéia rapidamente. Seguiu-se longo período de silêncio em que a família
andava de lá para cá, pensando numa solução. Pela primeira vez estavam dando-se
conta de que não era fácil assim mandar um telegrama. Serviu-se o costumeiro
cafezinho, enquanto cada qual do seu lado procurava uma maneira de escrever
para a senhora em viagem, sem que isto tivesse conseqüência desastrosas. De
repente, o irmão psicólogo explodiu num grito “eurekiano”:
_
Achei!
Escreveu
febrilmente no papel. O telegrama passou de mão em mão e foi finalmente
aprovado por todo mundo. Seu texto dizia:
“SIGA
VIAGEM. DIVIRTA-SE. TUA IRMÃ ESTÁ ÓTIMA”.
Jô
Soares - Da difícil arte de redigir um telegrama. “O GLOBO
Eis alguns conetores básicos que nos podem ajudar a construir textos.
Estão dispostos pelo tipo de significado que acarretam:
Adicionam: E, ALÉM DISSO, POR UM LADO.... POR OUTRO,
Certeza: CERTAMENTE, É EVIDENTE QUE, DE FACTO,
Concluem: EM CONCLUSÃO, PORTANTO, ENFIM, AFINAL,
Duvidam: TALVEZ, É PROVÁVEL, SE CALHAR,
Expressam a causa: PORQUE, POR CAUSA DE, JÁ QUE,
Expressam a consequência: POR TUDO ISTO, DE TAL MODO QUE, ASSIM
Expressam a finalidade: PARA ISTO, DE MODO A, COM O OBJETIVO DE,
Chamam a atenção: NOTE-SE QUE, ATENTE-SE QUE
Enfatizam, ampliam: EFETIVAMENTE, COM EFEITO, NA VERDADE
Expressam a opinião: EM MINHA OPINIÃO, A MEU VER, PARECE-ME QUE
Opõem, restringem: MAS, NO ENTANTO, APESAR DE,
Reformulam: ISTO É, QUER DIZER, MELHOR DITO, POR OUTRAS PALAVRAS
Introduzem um exemplo ou tema: QUANTO A, POR EXEMPLO, A RESPEITO DE, POR FALAR EM,
Confrontar, comparar: FACE A, ENQUANTO QUE,
Lê o texto a seguir e coloca as seis expressões que aparecem abaixo no espaço ponteado correspondente:
É uma honra ter sido convidada a participar nesta conferência e estar novamente com colegas e amigos portugueses. ......................, gostaria de avisar que as ideias e observações que hoje trago são baseadas principalmente na minha própria experiência e estudos produzidos na América do Norte. ................... estas ideias poderão não se aplicar totalmente aos vossos contextos, com as diferentes tradições que influenciam o vosso trabalho. .................., deixo ao vosso critério a forma como estes princípios poderão ser aplicados às vossas próprias realidades.
........................, devo acrescentar que a experiência de trabalhar com os nossos colegas profissionais de Educação de Infância, em muitos países, sugere que estes têm muito em comum e que se compreendem muito mais facilmente – .................. ainda melhor – do que compreendem ou são compreendidos pelas entidades oficiais dos seus próprios países. .................., a natureza do nosso trabalho, dos nossos papéis e responsabilidades são determinantes mais poderosos das nossas concepções e crenças, do que dos sistemas nacionais e contextos culturais em que trabalhamos.