sábado, 7 de fevereiro de 2015

Adília Lopes relida


Primeiro amor


Gostava muito dele
mas nunca lhe disse isso
porque a minha criada tinha-me avisado
se gostar de um rapaz
nunca lhe diga que gosta dele
se diz
ele faz pouco de si para sempre
os rapazes são maus
eu não era bela
nem sabia quem tinha pintado Os pestíferos de Jaffa
resolvi  assim escrever-lhe cartas anónimas
                                                        anónimas
escrevia o rascunho num caderno pautado
não sei hoje o que escrevia
mas sei que nunca escrevi
gosto muito de ti
e depois pedia a uma rapariga muito bonita
que passasse as cartas a limpo
eu acreditava que quem tinha uns cabelos
assim loiros e a pele assim fina
devia ter uma letra muito melhor do que a minha
agora que conto
agora que conto isto
vejo que deixo muitas coisas de fora
por exemplo que o meu primeiro amor
não foi este mas o Paulo
o irmão da rapariga bonita





adília lopes
resumo
a poesia em 2009
assírio & Alvim, 2010.




Metereológica

para o José Bernardino

Deus não me deu
um namorado
deu-me
o martírio branco
de não o ter

Vi namorados
possíveis
foram bois
foram porcos
e eu palácios
e pérolas

Não me queres
nunca me quiseste
(porquê, meu Deus?)

A vida
é livro
e o livro

não é livre

Choro
chove
mas isto é
Verlaine

Ou:
um dia
tão bonito
e eu
não fornico

A solidão
de Adão
antes da criação
de Eva
devia ser
terrível

mas a minha
é bem pior
os homens
que escreveram
o Génesis
não pensaram
que Adão
em vez de saudar
Eva
com um grito de júbilo
a mandasse embora
com sete pedras na mão
mas eu acho
que foi
o que me aconteceu

temendo isso
Deus
não me deu
o papel de Eva
nem o de Maria
porque também
S. José
me tinha corrido
a pontapé.









A BELA ACORDADA

Era uma vez uma mulher que tão depressa era feia era bonita, as pessoas diziam-lhe:
- Eu amo-te.

E iam com ela para a cama e para a mesa.
Quando era feia, as mesmas pessoas diziam-lhe:
- Não gosto de ti.

E atiravam-lhe com caroços de azeitona à cabeça.
A mulher pediu a Deus:

- Faz-me bonita ou feia de uma vez por todas e para

sempre.


Então Deus fê-la feia.

A mulher chorou muito porque estava sempre a apanhar

com caroços de azeitona e a ouvir coisas feias. Só os animais

gostavam sempre dela, tanto quando era bonita como quando

era feia como agora que era sempre feia. Mas o amor dos animais

não lhe chegava. 
Por isso deitou-se a um poço. No poço,

estava um peixe que comeu a mulher de um trago só, sem a

mastigar.

Logo a seguir, passou pelo poço 
o criado do rei, que

pescou o peixe.

Na cozinha do palácio, as criadas, a arranjarem o peixe,

descobriram a mulher dentro do peixe. Como o peixe comeu a

mulher 
mal a mulher se matou e o criado pescou o peixe mal o

peixe comeu a mulher 
e as criadas abriram o peixe mal o peixe

foi pescado pelo criado
, a mulher não morreu e o peixe

morreu.
As criadas e o rei eram muito bonitos. E a mulher ali era tão feia que não era feia. Por isso, quando as criadas foram

chamar o rei e o rei entrou na cozinha e viu a mulher, o rei

apaixonou-se pela mulher.

- Será uma sereia ? – perguntaram em coro as criadas ao

rei.
- Não, não é uma sereia porque tem duas pernas, muito

tortas, uma mais curta do que a outra –
respondeu o rei às

criadas.


E o rei convidou a mulher para jantar.

Ao jantar, o rei e a mulher comeram o peixe. O rei disse à

mulher quando as criadas se foram embora:
- Eu amo-te.
Quando o rei disse isto, sorriu à mulher e atirou-lhe com

uma azeitona inteira à cabeça. A mulher apanhou a azeitona e

comeu-a. 
Mas, antes de comer a azeitona, a mulher disse ao rei:- Eu amo-te.

Depois comeu a azeitona. E casaram-se logo a seguir no

tapete de Arraiolos da casa de jantar.

In Adília Lopes – OBRA – A Bela Acordada, pag. 300, Ed. Mariposa Azul, Lisboa

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Ditongos orais e nasais










Pratica a pronúncia destes pares de ditongos.

A única diferença entre eles é a nasalidade dos segundos:


cais > cães
mais > mães
pais > pães

pau > pão
mau > mão
grau > grão

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Criamos histórias (PPS e PImp)

Pega numa folha e vê esta história sem palavras:



1.º Põe-lhe um título.
Volta a visionar.

2.º Põe um nome ao herói e conta a (tua) sua história em, mais ou menos, 100 palavras.
Volta a visionar.

3.º Mudarias o título que lhe deste? Faz se achares conveniente.

4.º Mereceria um poema musicado? Elabora um refrão para essa música, com versos de 7 sílabas métricas. O que destacarias?


Algum vocabulário que te pode ajudar.
Vê (estes vocábulos) antes e depois de teres feito a tua história. Há alguma palavra que ainda possas trocar por alguma deste listado?:

desafio, coragem, sacrifício, enorme, gigante, monstro, murro, luta(r), andar à pancada, à briga, paz, descanso, força, puxar, empurrar, pegar em, amedrontado, medonho, resistência, corajoso, audaz, herói, culpado, responsável, enfrentar, sangue, dor, triunfo, covarde, dentes, focinho, chamas, fumo, rival, fiel, árvores, acalmar-se, sossegado, aldeia, atirar, puxar, correr, subir, descer, ir-se embora, maldoso, bondade, liberdade, livre, horizonte, nuvens, montes, falésias, encolerizar-se, casaco, colete,

domingo, 7 de dezembro de 2014

Novas cantoras

Luísa Sobral, jovem cantora de Lisboa. Tenta preencher o texto que aparece a seguir:




Xico e Dolores

Já .............................. dois anos e tal
E do Xico ................ sinal
........... quem diga que emigrou
............ quem diga que encontrou
Uma brasileira que não esta nada mal

E a Dolores todos os dias o espera
Com a sopa ao ................... e o prato ................ costume
.................. não ouvir a vizinhança
E .................... a Deus um pouco mais de esperança

Ó Xico, Ó Xico
Onde te ....................  meter?
Ó Xico, Ó Xico
Não me faças mais .................

Desde pequena Dolores .................. em encontrar
Um português com olhos ................ de mar
Ninguém ............................ o porquê da maluqueira
Que tinha .................. outro lado da fronteira

Conheceu ...... Xico em Almerimar
E logo ali .............................. casar
Dolores ....................... o essencial
A velha ...................... de costura e o ................................

Ó Xico, Ó Xico
Onde te .......................... meter?
Ó Xico, Ó Xico
Não me faças mais ..............

.............................. dez anos sem igual
Ninguém ..................... tal final
Agora ............... Dolores com lamento

“De Espanha nem bom vento
nem bom casamento”

Ó Xico, Ó Xico
Onde te ........................ meter?
Ó Xico, Mi chico
Não me faças mais
No me hagas más
Não me faças mais ..............

Lyrics taken from <a href="http://www.elyrics.net/read/l/luisa-sobral-lyrics/xico-lyrics.html">this page</a> 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Acentua e corrige o errado do texto


Construçao

Amou daquela vez como se fosse a ultima
Beijou sua mulher como se fosse a ultima
E cada filho seu como se fosse o unico
E atravessou a rua com seu passo timido
Subiu a construçao como se fosse maquina
Ergueu no patamar quatro paredes solidas
Tijolo com tijolo num desenho magico
Seus olhos embotados de cimento e lagrima
Sentou pra descansar como se fosse sabado
Comeu feijao com arroz como se fosse um principe
Bebeu e soluçou como se fosse um naufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse musica
E tropeçou no ceu como se fosse um bebado
E flutuou no ar como se fosse um passaro
E se acabou no chao feito um pacote flacido
Agonizou no meio do passeio publico
Morreu na contramao atrapalhando o trafego (transito em ptg europeu)
Esta é a primeira estrofe do conhecido poema cantado por Chico Buarque

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Página de Classificados

Encontra o que possas precisar em Anúncios classificados.


1º Escreve no teu caderno as diferentes divisões (as principais) dos "classificados".


2º Elabora um anúncio breve de um (a) produto e outro anúncio de (b) um serviço que queres fazer público.


3º Agora inclui esses dois anúnicos num email dirigido a um amig@ para ele visitar a página online.